Blog

O que ocorre no caso de horas extras indevidas na empresa?

Horas extras indevidas geram riscos legais e custos. Saiba como evitá-las com controle de ponto e políticas claras

Mateus Tonon
Mateus Tonon

Controlar a jornada de trabalho dos colaboradores é um dos principais desafios do RH e do Departamento Pessoal. Quando esse controle falha, surgem situações como as horas extras indevidas, que, além de comprometerem a previsibilidade da folha de pagamento, também podem gerar passivo trabalhista e expor a empresa a processos judiciais.

 

Mesmo que a intenção não tenha sido abusiva, qualquer excesso de jornada não autorizado, não registrado corretamente ou não pago conforme manda a CLT pode ser interpretado como infração trabalhista. Por isso, empresas que desejam crescer de forma saudável precisam investir em prevenção, clareza nas políticas e gestão de ponto eletrônico eficiente.

 

O que são horas extras indevidas? 

Horas extras indevidas são aquelas realizadas fora da jornada contratual, sem a devida autorização prévia da empresa, ou sem o correto pagamento do adicional estabelecido pela legislação. Elas também podem surgir por falhas no sistema de ponto, por falta de orientação aos colaboradores ou por tolerância da gestão em permitir o trabalho além do horário formal.

 

Na prática, são consideradas indevidas situações como: 

  • Permanência no ambiente de trabalho após o expediente sem autorização formal 
  • Marcações de ponto equivocadas ou manipuladas 
  • Extrapolação da jornada sem controle ou pagamento proporcional 
  • Execução de tarefas fora do expediente sem registro adequado 

Segundo o artigo 59 da CLT, a jornada pode ser acrescida de até duas horas extras por dia, desde que haja acordo individual ou coletivo. Qualquer prática fora desse limite pode ser enquadrada como infração trabalhista, sujeita a sanções legais.

 

Quais as causas mais comuns de horas extras indevidas? 

Diversas falhas na gestão de jornada contribuem para esse problema. Veja os principais pontos de atenção:

 

1. Ausência de política clara sobre jornada e horas extras 

Colaboradores que não sabem o que é permitido ou não pela empresa tendem a agir por conta própria, seja para adiantar tarefas, atender demandas urgentes ou tentar aumentar a remuneração. Isso leva à realização de horas extras sem alinhamento com a gestão. 

 

2. Falta de controle de ponto eficiente 

Planilhas, sistemas manuais ou aplicativos sem parametrização adequada proporcionam erros e registros incorretos. Sem alertas de jornada extrapolada, o DP perde o controle e só percebe o acúmulo no fechamento da folha. 

 

3. Comunicação falha entre líderes, RH e DP 

Gestores que autorizam (ou toleram) horas extras verbalmente, sem registrar ou comunicar à equipe de DP, criam brechas para inconsistências, pagamentos indevidos ou riscos judiciais. 

 

4. Desorganização no banco de horas 

Falta de conferência, acúmulo de horas não compensadas ou compensações feitas fora dos prazos legais podem gerar irregularidades. A gestão do banco de horas precisa ser feita com transparência e regras bem definidas.

 

5. Intervalos desrespeitados 

A não concessão de pausas ou a redução indevida dos intervalos legais também pode gerar hora extra adicional, conforme previsto pela CLT.

 

Quais os riscos e consequências legais? 

As horas extras indevidas podem gerar um passivo trabalhista relevante, especialmente quando afetam vários colaboradores ou se acumulam por meses sem correção. Entre as consequências estão:

  • Pagamento retroativo das horas com adicionais legais 
  • Reflexos em férias, 13º, FGTS e INSS 
  • Multas por infração à jornada de trabalho 
  • Risco de condenação em ações trabalhistas 
  • Danos à reputação da empresa como empregadora 

Além disso, segundo a Portaria MTP nº 667/2021, o excesso injustificado de horas pode gerar multa que varia de R$ 170 a R$ 1.700 por colaborador, dependendo da gravidade e da reincidência.

 

A empresa pode descontar horas extras pagas indevidamente? 

Em regra, não. De acordo com o artigo 462 da CLT, o salário do empregado só pode ser reduzido em casos específicos, como previsão legal, acordo coletivo ou prejuízo comprovado causado pelo colaborador.

 

Se a empresa pagou horas extras por erro de registro ou sistema, o ideal é: 

  • Formalizar o equívoco por escrito 
  • Negociar um acordo para compensação futura 
  • Evitar descontos unilaterais sem autorização expressa 

Agir com transparência e documentar tudo é essencial para evitar conflito e manter o bom clima interno.

 

Como evitar o acúmulo de horas extras não autorizadas? 

Evitar esse problema exige um trabalho de prevenção, treinamento e uso das ferramentas certas. Veja algumas práticas fundamentais:

 

1. Estabeleça uma política interna sobre horas extras 

Crie um documento formal com regras claras sobre: 

  • Limites de horas extras por dia/semana 
  • Quando podem ser realizadas e por quem 
  • Necessidade de autorização prévia 
  • Forma de compensação (pagamento ou banco de horas) 

Oriente todos os colaboradores na admissão e mantenha campanhas de reforço durante o ano. 

 

2. Treine gestores sobre riscos e limites 

Líderes devem saber que autorizar horas extras fora do padrão pode gerar consequências para a empresa. Capacitações periódicas ajudam a alinhar a conduta e reduzir excessos.

 

3. Use um sistema de ponto eletrônico confiável 

Ferramentas modernas ajudam a prevenir e identificar irregularidades, com recursos como: 

  • Cálculo automático do banco de horas 
  • Assinatura eletrônica de espelhos de ponto 
  • Painéis para o RH acompanhar os dados em tempo real 

Essas funcionalidades evitam erros manuais, garantem conformidade com a legislação de horas extras e oferecem segurança jurídica em caso de auditorias. 

 

4. Monitore os dados e atue preventivamente 

Faça revisões mensais do banco de horas e dos registros. Identifique padrões de excesso e intervenha antes que o problema cresça. A visibilidade sobre a jornada é fundamental para a prevenção.

 

Conclusão 

As horas extras indevidas são um risco silencioso, mas muito comum no dia a dia das empresas. Elas nascem de pequenos desvios de rotina e, quando não controladas, evoluem para processos trabalhistas, multas e prejuízos financeiros.

 

Por isso, a gestão de ponto precisa ser tratada como uma prioridade estratégica. Não apenas para evitar problemas legais, mas para garantir a saúde organizacional e o bem-estar dos times.

 

Teste agora o Facilita Ponto gratuitamente e veja como a tecnologia pode transformar sua rotina de gestão de ponto.

WhatsApp